Eram vagas os meus sonhos.
Vagarosas as minhas atenções.
Tudo tão presente. Tão real.
Tão crispado de emoções.
E enquanto o eu diz : Sim!
O ego diz: Não! Não!Pura falácia! Luzes, clarões...
Onde nascem as mil fontes
De águas puras, cristalinas?
Onde crescem tenras e finas
Canções, bucólicos horizontes?
Neles poderei, enfim repousar,
Ouvindo o canto, sereno, do mar!...
Parece simples! O sonho
Desse teu macio olhar azul...
Mas onde estará a memória
Desse nosso abraço de ternura?
Onde estarás tu, minha glória,
Neste doce dia de amargura?
Aqui, onde nos recordo,
No encanto doce do sonho.
Há uma dor crua que eu mordo
Neste fim de tarde medonho:
A dor da tua ausência.
A dor da tua desaparição.
Será imagem ou presença?
Quem me dera, mar igual!...
Mas tudo é pura ilusão!
18-01-1985
