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01/02/2021

MEMÓRIA DESMEMORIADA








Esta é a tarde da tua ausência,

Um breve sopro do teu partir..

Há em mim um choro brando,

Como um leve  e doce sentir...

E a tarde cai como um tordo

E atordoado  levanto o olhar

E o que vejo já não é hoje

É uma memória de pena e dor

Do fui... do que fomos

E apenas isso. Memória...

E a noite chega, sem avisar,

E tudo cobre de silêncio e noite...

E eu aqui. Aqui ? Sim! 

Aqui, porque o lugar não tem memória,

E eu também não a tenho... 


Agora,

Sou mágoa da dor não sentida.

É bem amarga ...amarga!

Mas  que dor será maior

Que a dor de não ter memória?


29/10/2013

Porque me dói a memória






Porque me apetece ...
Apetece-me não me apetecer.
E como eu gostava de não ter de apetecer!...

Mas como posso manter-me calado
com os gritos dos velhos espoliados?
Como manterei as palavras mudas
perante a orfandade duma juventude promissora?
Como posso conter a raiva e o desespero
que passeia pelas ruas agarrados em tinto
E em desesperado e sombrio rosto?
Respondei-me,! Respondei-me, políticos incapazes!!!!!!!!!!!!!!!

-Como chegámos a lugar nenhum?
Não há respostas, nem ecos.
Não há palavras, porque as amordaçam
No autofágico da  austeridade...
Até as palavras ficaram cativas do resgate.
Os dicionários mingam de palavras.
E apenas existe  um eco constante
e uma tortura sonora:
- Austeridade, crise, resgate, fmi, troika.
São como badaladas  fúnebres dos sinos de aldeia,
porque os da cidade?... também tiveram de ser calados.

Olho o mar e ele já não responde!
Do azul do céu só  negrume do futuro.
Uma   tempestade por chegar.
Onde estou?
Quem somos?
Aonde vamos?

Não há respostas, não há caminhos.
Teremos que atalhar as veredas da memória,
Talvez nelas se consiga ressuscitar a  PÁTRIAl!
Talvez elas, ainda lembrem da voz dos vates,
Talvez de algumas palavras, caídas na berma,
Se possa ressuscitar a esperança!
E numa esperança renovada,
Portugal será, novamente, Portugal !!!!!
Um país onde os velhos são um ativo cultural,
Os jovens a promessa de continuidade,
E as palavras construam em versos
A Paz e a Liberdade!

18/11/2010

Tão jovem partiu

Um jovem partiu na manhã da vida
Branca flor em verde botão
Promessa de sensato cidadão
Promessa tão cedo perdida.
Ficaram nas lágrimas tristes
As gargalhadas de outrora
As gincanas e a corrida
Nas ruas da curta cidade.
Eras como luz na aurora
Um sorriso sem idade
Um companheiro querido.
Doeu mais do que a morte,
A memória de te teres ido!
Aqui fico eu no agora
Entregue desta sorte
Às palavras não ditas
No dia em que partiste.
Num abraço do Adeus!