03/01/2010

A Cidade-Poema

A poesia veio descendo à cidade
E pendurou-se nas árvores em sílabas,
Enfeitou-se nas ruas de muitas rimas
E as avenidas coloriram-se de versos.
Cada árvore formava uma quadra,
Um terceto, uma sextilha, uma décima
Mas isso para que interessa!?
Se cidade se construiu em poemas,
Que eram como subtis presépios,
De vermelhas flores, cheiros e cores
Debruçados sobre o azul do mar.
O mar enfeitou-se de sons, apitos,
Burburinhos arrastados nos calhaus,
Melodias de barcos e velas e luz.
A luz era uma enorme melodia.
Tão grande que abafava a cidade,
E o amor transbordava dos copos
Que eram as cores em cada olhar,
Uma carícia maternal ilhoa.
A Poesia correu as ruas e avenidas,
Galgou os becos, as travessas, as veredas,
Rampas, carreiros, impasses, vielas...
Subiu em linhas verticais as encostas,
E em chuva miudinha embalou as ribeiras.
E num enorme beijo deixou-se cair
Como gotas de orvalho, pelo anfiteatro.
Esse enorme e ameno e natural presépio,
Em que a poesia se vestia de Maria,
O Poema se apoiava ao cajado de José
E o verso ainda, leve e pequenino,
Era o choro, encantado, do Deus menino.


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3 comentários:

  1. Fantástica descrição da festa. A poesia pendurada nas árvores, em sílabas... que imagem incrível!

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  2. Começou muito bem o ano este blogue! Que continue sempre assim, que nós todos agradecemos ;)

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