Meu país, perdeste a alma dum nobre povo!
Meu país onde irás, sendo rosto da Europa?Meu país não és nada. Sem um homem novo
Morrerás tão breve, sem luz, sem madrugada!
Meu país dos outroras de grandes guerreiros
És um despojo sujo de guerra sem luta
E apesar da reserva moral, e do povo em labuta,
Nas naus e na terra... Não temos timoneiros.
Meu país dum futuro, eternamente adiado
Voltaram-te as costas ao teu destino: o Mar
E na Europa devoraram um futuro subsidiado,
Penhorador que teus filhos e netos irão odiar!
Meu país de verde canto, amor dos poetas,
Quem te trouxe aqui, despido de glória?
Maldito Adamastor, nariz achatado... Vitória,
Desfralda as asas, atira-me ao mar, velas abertas.
Que o mar te faça renascer.
Que novos homens nascerão!
Mas como se te cortam as raízes,
Sem dó e sem compaixão
À desgraça te fizeram descer.
E tu ficas calado, nada dizes?
Meu país mártir!...
Só tenho saudade....
