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01/06/2009

Mar e terra

Esse colosso da rocha destruidor ,
Avançou sobre a arriba e bateu-lhe
Com a força hercúlea e mole,
Mas deixou na falésia, ao sol,
Salpicadas de morte as folhas verdes.
Era um espanto! Um estupor!
Entrou pela praia, varando-a de dor,
Com roliços calhaus sós e escuros...
Dizem que por grande amor
Os poliu de faces redondos, puros...
Nas conchas deixou mil segredos,
E no olhar deixou extase sem prole.
O mar bramiu e arremeteu à terra
E nela se enfureceu de gozo.
Bradando como louco amante
Que chega ou parte pra guerra.
E no acto solene da copulação,
Aniquilou a praia e mordeu
A terra em fúria desmedida,
Como quem gera uma vida,
Num acto saudoso de partida.
Era o mar daquela tarde esquecida
Na marginal da Ribeira Brava.
Olhei as ondas de luz entretecida
E voei como branca gaivota
Em busca de nova guarida.


16-03-2005