O que é a vida sem Poesia? Não será a vida a poesia em flor? A Poesia é a suprema LIBERDADE!
12/03/2011
LONGE O MAR
Meu leve berço de ondas
Meu baloiço de sal e maresia
És tão além que nem sondas…
No vaivém da tua melodia
Esconde-se a outra fortuna
Nos calhaus da longa agonia
Quando partiram na breve escuna.
Nesse teu sonoroso vaivém
Vejo as estrelas de outro dia
Vejo chorar no regaço da mãe
A criança que de fome gemia.
Mar azul da minha infância
Lá longe, nos tempos, perdido!...
Não sei o que me move nesta ânsia.
Será o mar dum amor renascido?
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09/12/2010
MAR TRIUNFAL
E mesmo sem mastro e sem vela,
Ainda que menos vivo que morto
Suportaremos todos os tormentos
Mas, à proa, havemos de triunfar.
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08/11/2010
AMIGO, JARDIM DE TODOS NÓS
Não de ti ou de mim.
Amigo é um olhar terno assim
Quase beijo, quase aroma
Quase cântico sem voz.
Amigo é como uma redoma
Que nos protege do vento.
Amigo é mar e pensamento.
Amigo é palavra em acção,
Luz alva na negra solidão,
Que nunca nos deixa sós.
Amigo é o breve abraço
Que nos floresce em laço
Num jardim de todos vós!
Amigo é essa rocha
Onde podemos chorar
É a flor que desabrocha,
Num sorriso de luar.
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07/02/2010
Mar que eu canto
Canto o mar - Céu, água, terra e luz
Porque o mar tem sons de embalar
E as leves ondas me acariciam a face
Canto o mar manso e bravio. O mar
Que me seduz com seu vestido de noiva,
Espuma e sal entregando-se às costas.
Canto o mar feliz da minha infância
Cheio de medos, tenebroso, liso.
Canto ao mar cheio de vapores do Cabo
Ao mar das sereias, ao mar das donzelas
Canto ao mar-terra, verde ilha
Azul céu, azul jaspe, azul azuis.
Canto porque o mar existe lindo
Nas vozes de todos os poetas
Canto ao mar, de hoje e de ontem
Ao mar daqui e dalém, sempre mar
De continentes, prazer de descobertas.
Canto a minha alma azul de mar.
Canto o mar que consome a alma
Pelo mundo de andarilho português
Canto o mar que me tornou poeta
E em verso oceânico e profundo
Faz da poesia, terra, fogo, água e luz.
E à agua que beija a terra d'amor.
Canto o mar que me fez português
Aqui, em verso e em qualquer lado.
Canto, uma, outra e outra vez
Porque este é o mar que sou,
Este mar sempre azul agitado.
Nesta terra-mar que me enfeitiçou.
31/01/2010
MARINHEIRO DO DESEJO
Vagueio pelas velas do meu passado.
Mastro alevanto, mastro quebrado,
Nas águas sombrias doutro Atlante.
Ondas ou vagas, brancas e claras
Batendo na rocha da minha alma
Como se à superfície da calma
A saudade fosse de dores amaras.
Meu desejo é silêncio e tanto,
Solta-se no vento, livre e só
Como a tormenta que sem dó
Fustiga de sal o meu mudo canto.
Desta arriba, penhasco marino
Regresso ao que fui: um menino,
Hoje, homem maduro e inteiro,
Regresso na espuma do marinheiro
E no meu andarilho desejo
Solto as amarras como o mar bravio
E vou-me na ternura fugaz dum beijo
À procura, além, de outro destino.
Sem velas, sem mastro ou navio.
E nesta triste tarde cinza de bruma
Nasço marinheiro, desejo e espuma.
01/06/2009
Mar e terra
Avançou sobre a arriba e bateu-lhe
Com a força hercúlea e mole,
Mas deixou na falésia, ao sol,
Salpicadas de morte as folhas verdes.
Era um espanto! Um estupor!
Entrou pela praia, varando-a de dor,
Com roliços calhaus sós e escuros...
Dizem que por grande amor
Os poliu de faces redondos, puros...
Nas conchas deixou mil segredos,
E no olhar deixou extase sem prole.
O mar bramiu e arremeteu à terra
E nela se enfureceu de gozo.
Bradando como louco amante
Que chega ou parte pra guerra.
E no acto solene da copulação,
Aniquilou a praia e mordeu
A terra em fúria desmedida,
Como quem gera uma vida,
Num acto saudoso de partida.
Era o mar daquela tarde esquecida
Na marginal da Ribeira Brava.
Olhei as ondas de luz entretecida
E voei como branca gaivota
Em busca de nova guarida.
16-03-2005
11/05/2009
Mar
Sem nortadas de breve vento
Azulam o horizonte da sorte
E tornam penoso o meu lamento.
Ondas desse mar bravio
Que torna a pedra areia
Transbordam de canto e sereia
E a mim me dão tédio e fastio.
Ondas que vêm e vão
Que trazem o choro nos olhos
No calhau um canto sem refrão
Na espuma, alma e escolhos...
Mar que partiu e voltou
Abraçado à curta distância
De um meigo choro de infância,
Da breve nortada que a marcou.
Ondas do mar vicentino
De encontro e desenconto
Do meu tempo de menino
Que marcou num só ponto
A toda a vida dum destino.
15/3/2009
28/04/2009
SAUDADES DE FUTURO
Caminho, peregrino, sem rumo, pára-quedista
Quem sabe, se levado pela mão dum destino
Numa amena alpardinha de brisa bonançosa
Inebriado pelo fresco odor da iodada maresia
Recordo, penso, projecto e caminho,
Levado pelo canto das ondas - doce hino
Dos mares - pelo embalo de toda a poesia,
Que constrói um verso de luz, suave e fino.
Como se as cores nada tivessem do artista,
Que há tanto as gesta em seu ninho
Lá, na praia, deixei os quatro elementos:
A água, o ar , a terra e o jovem fogo.
De lá me trouxe olhares, sentimentos,
Numa perfeita sintonia. Na cor, um jogo
De mil recordações, outras tantas lembranças...
Quem sabe!... Na pegada doutras infâncias
A tela translúcida de mil tormentos.
Ali, onde um ser concentra toda a existência,
Nesse fim de tarde dourado de puro,
Dum passado projectado nas distâncias,
Quem sabe se não será saudades de futuro?!...
28-04-2009


