Vagabundeando pela babugem arenosa,
Caminho, peregrino, sem rumo, pára-quedista
Quem sabe, se levado pela mão dum destino
Numa amena alpardinha de brisa bonançosa
Inebriado pelo fresco odor da iodada maresia
Recordo, penso, projecto e caminho,
Levado pelo canto das ondas - doce hino
Dos mares - pelo embalo de toda a poesia,
Que constrói um verso de luz, suave e fino.
Como se as cores nada tivessem do artista,
Que há tanto as gesta em seu ninho
Lá, na praia, deixei os quatro elementos:
A água, o ar , a terra e o jovem fogo.
De lá me trouxe olhares, sentimentos,
Numa perfeita sintonia. Na cor, um jogo
De mil recordações, outras tantas lembranças...
Quem sabe!... Na pegada doutras infâncias
A tela translúcida de mil tormentos.
Ali, onde um ser concentra toda a existência,
Nesse fim de tarde dourado de puro,
Dum passado projectado nas distâncias,
Quem sabe se não será saudades de futuro?!...
28-04-2009