Olho o horizonte azul poente da tarde cinzenta
Gaivotas varrem os calhaus da praia pardacenta
E as ondas embalam os navios do grande Atlante.
Aqui, junto à varanda desta ilha de mar distante
Navego no fugidio tempo de outras memórias
E como se as marés contassem velhas histórias
Abraço o dourado doutro mar. Sou mareante!
Nas formas escuras das nuvens algo é dissonante.
É o rugido horripilante de outra distante paragem
Da figura Adamastor, de uma outra grande viagem
Que revivo, agora, do grão Camões, quando estudante.
Aqui, onde não estou, navego nesse barco sonante
Das palavras não ditas, dos meus textos apoucados,
Mas sei que navego ao sabor de outros significados
Mesmo que o meu poema seja tão desconcertante.
O meu poema é uma varanda para a distante ilha
Da minha infância, no verde da serra e azul do mar.
A varanda é a memória do que lá ficou por cantar,
O sol e as gaivotas, são os versos da velha cartilha.
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