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20/01/2011

UM OLHAR POENTE



Aqui, junto ao mar dourado de uma ilha distante
Olho o horizonte azul poente da tarde cinzenta
Gaivotas varrem os calhaus da praia pardacenta
E as ondas embalam os navios do grande Atlante.

Aqui, junto à varanda desta ilha de mar distante
Navego no fugidio tempo de outras memórias
E como se as marés contassem velhas histórias
Abraço o dourado doutro mar. Sou mareante!

Nas formas escuras das nuvens algo é dissonante.
É o rugido horripilante de outra distante paragem
Da figura Adamastor, de uma outra grande viagem
Que revivo, agora, do grão Camões, quando estudante.

Aqui, onde não estou, navego nesse barco sonante
Das palavras não ditas, dos meus textos apoucados,
Mas sei que navego ao sabor de outros significados
Mesmo que o meu poema seja tão desconcertante.

O meu poema é uma varanda para a distante ilha
Da minha infância, no verde da serra e azul do mar.
A varanda é a memória do que lá ficou por cantar,
O sol e as gaivotas, são os versos da velha cartilha.

.

11/05/2009

Mar

Ondas do mar do Norte
Sem nortadas de breve vento
Azulam o horizonte da sorte
E tornam penoso o meu lamento.
Ondas desse mar bravio
Que torna a pedra areia
Transbordam de canto e sereia
E a mim me dão tédio e fastio.
Ondas que vêm e vão
Que trazem o choro nos olhos
No calhau um canto sem refrão
Na espuma, alma e escolhos...
Mar que partiu e voltou
Abraçado à curta distância
De um meigo choro de infância,
Da breve nortada que a marcou.
Ondas do mar vicentino
De encontro e desenconto
Do meu tempo de menino
Que marcou num só ponto
A toda a vida dum destino.

15/3/2009