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14/05/2010

AS PALAVRAS









Quando as palavras derrubarem
As muralhas da incompreensão
E negro, o céu perder as cinzas
Da crua, humana e curta visão
O amor florescerá em nova cor
Nos sorrisos puros da criança.


Quando as palavras forem hinos,
Florestas, árvores, pura natureza
As gaivotas voarão em partituras
De dourados poentes nas alturas.
E as breves ondas doutro mar
Beijarão, redondos, os calhaus de beleza.

Quando as palavras forem palavras
Construtoras de irrepetível sentido
Serão uma melodia, aroma ameno,
Serão flores, serão azul doutro céu,
Serão vontade de homem erguido
No puro conceito criador mais pleno.

Ai as palavras que me atormentam,
Me impelam à construção do poema
Dizei-me se não serei mais um louco
Enroscado noutro sempre novo dilema.
Ser bandeira do novo erguer das palavras
Içá-las em mastro, na ponta de uma pena?!


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