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24/03/2014

AS PALAVRAS CEDIDAS

Poeta,

 Veste as nossas noites de lua,
Veste as palavras do perfume da flor...
E mesmo que este parto te doía
Entrelaça-as em gestos suaves de amor!...
Veste-as com a esperança dos ramos,
Abafa-as com a manhã ainda por nascer
E tece com as belas flores a saudade dos frutos.
Louco! Poeta louco! Louco poeta!
Não te importes o que te possam dizer!
Importa-te em vestir o mundo de palavras.
Das palavras-palavra, sempre jovens de dizer!
E as palavras, como a doce lua plena,
Sobre o azul limpo e prateado do mar
Novos mundos de sonho nos dará a ver,
Mesmo que nossa alma seja pequena!
Loucura é não fazer as Descobertas
Nas palavras prenhes do teu sofrer!
Loucura é não tentar o impossível
Neste fruto e tão indizível prazer.
O prazer consciente de saber 

Que  não te cedo a posse ao as escrever!




imagem : http://vallentinepoetisamenor.blogspot.pt/2010/08/o-poeta-e-poesia.html

14/05/2010

AS PALAVRAS









Quando as palavras derrubarem
As muralhas da incompreensão
E negro, o céu perder as cinzas
Da crua, humana e curta visão
O amor florescerá em nova cor
Nos sorrisos puros da criança.


Quando as palavras forem hinos,
Florestas, árvores, pura natureza
As gaivotas voarão em partituras
De dourados poentes nas alturas.
E as breves ondas doutro mar
Beijarão, redondos, os calhaus de beleza.

Quando as palavras forem palavras
Construtoras de irrepetível sentido
Serão uma melodia, aroma ameno,
Serão flores, serão azul doutro céu,
Serão vontade de homem erguido
No puro conceito criador mais pleno.

Ai as palavras que me atormentam,
Me impelam à construção do poema
Dizei-me se não serei mais um louco
Enroscado noutro sempre novo dilema.
Ser bandeira do novo erguer das palavras
Içá-las em mastro, na ponta de uma pena?!


.

02/05/2009

Abrigo das palavras

Gosto de abrigar-me no silêncio das palavras.
Sentir o respirar morno das sílabas,
O murmúrio reconfortante das rimas,
O tilintar compassado das tónicas,
E enlevo-me no ritmo ondulante das letras.
Oh! A confortante luz primeira da leitura,
Diáfana, como um lençol de núpcias,
Como o breve raiar dum sol de Inverno
Ou um pôr de sol de estio, quente e forte.
Como é bom sacudir as palavras
E ouvir, dos seus silêncios, sons novos,
Degustar encantamentos...
Oh! Como é bom descobrir em cada leitura
Outras leituras, sempre revisitadas de novo
Em busca de encontrar o futuro!
A escrita é como um parto sereno de luz,
Luzeiro de incertezas certas
Onde o leitor é peça de arado,
Lavrador do próprio significado.

02/05/2009

25/04/2009

Porto das Palavras

Palavras?

Não as vêem desenhadas no rasto da passagem?
Penduradas na cinza das nuvens?
Abraçadas na espuma do mar?
Palavras?
Onde andaram os búzios,
Onde a terra embebeda o mar de ternura
E o abrigo da areia é sempre uma aventura
Lá onde o ouro se fez terra
E o mar se fez santo
Ficou o porto doutro amor
Que enredado de seu pranto
Subi da praia até à serra,
E deixou a ilha em grande estupor.
Palavras lavadas de lágrimas
Ficaram no recanto da saudade
Das tardes cinzentas da memória.
Foi Colombo ?
Foi outro? Que interessa
Se a paisagem é palavra
E a palavra funda o ser
Que na folha ao se escrever
Desenha o olhar, esboça o tema,
Espelha o mar, a terra, o monte, a vida.
A paisagem desta ilha dourada
É já um poema.
E o poema é um porto que tu lavras
Com o arado das palavras.

24-4-2009