16/04/2011

ALÉM É O CAMINHO

Perdi-me nas palavras secas da vida
Entre o mel vão das melodias ocas
Desci como vagabundo das horas loucas
O íngreme caminho   da vida sofrida.
Vi o mar entre um céu e esse além
Névoa, onda, vaga, muralha crescida
Da planura  branca da folha não escrita
Promessa de outra palavra  não nascida
Porque o mar que me envolve tem
O dom dum Letes longe... Proscrita
É minha avena. A breve pena partida
No eco distante das palavras não ditas
Desenho fugaz de outras indizíveis,
Nos laços que as sílabas tecem. Teia
De novas palavras gastas de ditas.
E de outras redondas de lua cheia
Como luzes,  auroras , sempre invisíveis.




Assim, me resto, não sofro.  Sinto
Que entre as palavras com que minto
Há sempre uma verdade por dizer
Essa é a sede do mar que me salva
E como estrela cintilante da alva
Adoça a dor crua deste seco  viver.
Além!
Sempre mais além   é o caminho!

4 comentários:

  1. Além, sempre mais além... esta é a esperança que nos move e nos impede de parar.

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  2. O perder-se pode ser, é-o muitas vezes, reencontrar-se... Por isso, tens razão, o caminho é sempre mais além, perdido ou não neste labirinto... A tom da flor um espanto!

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  3. "Assim, me resto, não sofro. Sinto
    Que entre as palavras com que minto
    Há sempre uma verdade por dizer

    lindo..parabéns! beijos

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